Setembro é o mês do Setembro Verde, campanha de conscientização sobre o câncer colorretal — também chamado de câncer de intestino. E como acontece com boa parte dos temas de saúde, muita informação solta circula por aí, misturando mitos e verdades sobre o câncer colorretal de um jeito que pode confundir mais do que ajudar.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil no triênio 2026-2028 — o terceiro tipo mais frequente entre homens e mulheres somados (INCA). Separar o que é fato do que é achismo é parte importante da prevenção — por isso reunimos aqui seis pontos para esclarecer.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico: qualquer dúvida sobre sintomas ou necessidade de exames deve ser levada ao seu médico de confiança.
1. Mito: câncer colorretal é uma doença “mais de homem”
Segundo o INCA, a distribuição de casos entre homens e mulheres é praticamente equilibrada. A ideia de que é uma doença predominantemente masculina pode fazer com que mulheres deixem de procurar avaliação médica diante de sintomas, o que não deveria acontecer.
2. Verdade: a alimentação tem relação com o risco
De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo elevado de carne vermelha e, principalmente, de carnes processadas está associado a maior incidência de câncer colorretal. A recomendação geral é limitar esse tipo de alimento a, no máximo, duas a três vezes por semana — mas o ideal é que qualquer ajuste na alimentação seja construído com orientação de um nutricionista, especialmente durante o tratamento ativo.
3. Mito: “sem sintomas, não preciso me preocupar”
Esse é talvez o mito mais perigoso. Segundo o INCA, os tumores colorretais costumam ser silenciosos nas fases iniciais, e mais de 60% dos casos só são diagnosticados quando a doença já está em estágio avançado. Esperar o sintoma aparecer para procurar exame de rastreamento não é uma estratégia segura.
4. Verdade: hábitos de vida influenciam o risco
Tabagismo, sedentarismo, excesso de gordura corporal e consumo de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco comportamentais apontados pelo INCA para o câncer colorretal. Nenhum desses fatores, isoladamente, determina que alguém vai desenvolver a doença — mas juntos, aumentam a probabilidade.
5. Mito: só preciso fazer exame se algo estiver errado
O rastreamento do câncer colorretal — geralmente por meio de exame de sangue oculto nas fezes ou colonoscopia — é recomendado a partir de determinada faixa etária, mesmo sem sintomas, justamente porque o exame pode identificar lesões antes que se tornem um problema maior. A idade de início e a frequência ideal devem ser definidas com o médico, considerando histórico pessoal e familiar.
6. Verdade: existem sinais de alerta que merecem atenção
Sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta e perda de peso sem motivo aparente são sinais que, quando aparecem, merecem avaliação médica — não para gerar pânico, mas para não perder tempo.
Como nutricionista, entro nesse assunto com um cuidado: alimentação é uma peça importante da prevenção, mas não é a única, e ninguém deveria sentir culpa retroativa por hábitos do passado. O que existe é um caminho possível daqui para frente, sempre construído aos poucos.
Perguntas frequentes sobre câncer colorretal
A partir de que idade devo começar a fazer exames preventivos?
A idade de início do rastreamento varia conforme diretrizes médicas e histórico familiar de câncer colorretal. Essa definição deve ser feita em conjunto com seu médico, que vai avaliar fatores de risco individuais.
Ter um parente com câncer colorretal aumenta meu risco?
Histórico familiar é um dos fatores considerados na avaliação de risco, e pode antecipar a idade recomendada para o início dos exames. Vale conversar com o médico sobre o histórico da família.
Mudar a alimentação já é suficiente para prevenir o câncer colorretal?
A alimentação é um dos fatores de risco modificáveis, mas não é o único. Sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool também influenciam. A prevenção mais eficaz combina hábitos saudáveis com exames de rastreamento nas idades recomendadas.
Sangue nas fezes sempre significa câncer?
Não. Sangue nas fezes tem diversas causas possíveis, muitas delas benignas, como hemorroidas. Ainda assim, é um sinal que deve sempre ser investigado por um médico, e não avaliado por conta própria.
Se este texto te fez lembrar que já passou da hora de marcar aquele exame de rotina, essa é a ação possível para hoje: agendar a consulta. Prevenção não é sobre viver com medo — é sobre dar ao corpo a chance de ser cuidado a tempo.
Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 18/09/2026

