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Prevenção e Exames

Outubro Rosa: o Que Mudou nas Diretrizes da Mamografia

25 de setembro de 2026

Profissional da saúde segurando uma placa com formas de seios promovendo a conscientização sobre o câncer de mama.

Com a chegada do Outubro Rosa, é comum surgir a mesma dúvida todos os anos: afinal, a partir de que idade fazer a mamografia, e com que frequência? A resposta gerou até confusão nos últimos meses, porque existem hoje duas informações que parecem conflitantes — mas que, na prática, se complementam.

Se você chegou até aqui com essa dúvida, não está sozinha: mesmo profissionais de saúde debatem o tema, porque ele envolve equilíbrio entre benefícios e riscos do rastreamento em diferentes faixas etárias. Vamos organizar o que dizem as fontes oficiais.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual com seu médico ou ginecologista, que pode indicar a mamografia fora do padrão populacional quando houver histórico familiar ou outros fatores de risco.

A recomendação oficial do INCA para rastreamento populacional

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reafirmou em março de 2025, com base em uma revisão de 2024 que incluiu 16 meta-análises e oito ensaios clínicos randomizados, que a mamografia de rastreio populacional é recomendada para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Segundo o instituto, a maioria das evidências não mostrou benefícios consistentes no rastreamento populacional abaixo dos 50 anos, já que a sensibilidade do exame é menor nessa faixa etária, o que pode aumentar biópsias e cirurgias desnecessárias, além da ansiedade gerada por resultados falso-positivos.

Essa recomendação está alinhada, segundo o INCA, a diretrizes internacionais de instituições como o NICE (Reino Unido), a força-tarefa canadense, a IARC e a Organização Mundial da Saúde.

O que o Ministério da Saúde ampliou no SUS

Já o Ministério da Saúde publicou, em setembro de 2025, uma nota técnica padronizando o acesso à mamografia no SUS e ampliando a faixa etária de rastreamento populacional de até 69 para até 74 anos, mantendo a periodicidade bienal (a cada dois anos) para mulheres de 50 a 74 anos. A mudança segue o Código de Prevenção do Câncer para a América Latina e o Caribe, com apoio da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Ou seja: as duas informações não se contradizem — o INCA trata da recomendação técnica de rastreio populacional (que é a base científica), e o Ministério da Saúde trata do acesso operacional no SUS, que foi ampliado para incluir mais alguns anos de cobertura.

E as mulheres de 40 a 49 anos?

Essa é a parte que mais gera dúvida. Segundo as próprias fontes oficiais, mulheres de 40 a 49 anos (e também acima de 74) sem sintomas ainda podem acessar a mamografia sob demanda pelo SUS, desde que recebam orientação da equipe de saúde sobre os potenciais riscos e benefícios do exame nessa faixa etária — a diferença é que essa faixa não faz parte do rastreamento populacional organizado, e sim de uma decisão individual, feita em conversa com o médico.

Na prática, isso significa que ter menos de 50 anos não impede o acesso ao exame quando há indicação clínica — mas o exame de rotina, oferecido de forma ativa à população, começa aos 50 anos.

Como nutricionista, aproveito o Outubro Rosa para lembrar que hábitos alimentares e controle de peso corporal fazem parte do conjunto de fatores associados ao risco de câncer de mama, mas eles não substituem o rastreamento por exame de imagem — são cuidados complementares, não alternativas à mamografia.

Perguntas frequentes sobre a mamografia no Outubro Rosa

Tenho 45 anos, ainda não posso fazer mamografia pelo SUS?

Você pode acessar o exame sob demanda, mediante orientação da equipe de saúde sobre riscos e benefícios nessa faixa etária. Vale conversar com seu médico sobre o seu caso específico, especialmente se houver histórico familiar de câncer de mama.

Por que a mamografia não é recomendada de forma populacional para mulheres mais jovens?

Porque, segundo o INCA, a sensibilidade do exame é menor nessa faixa etária e o rastreamento populacional pode gerar mais resultados falso-positivos, levando a exames e procedimentos desnecessários, sem ganho comprovado de benefício em larga escala.

Depois dos 74 anos, ainda posso fazer mamografia?

Sim, o acesso sob demanda continua disponível, sempre com orientação médica sobre a relação entre riscos e benefícios individuais nessa fase da vida.

Ter histórico familiar de câncer de mama muda essas recomendações?

Sim, histórico familiar e outros fatores de risco podem justificar rastreamento individualizado, com início mais precoce ou exames complementares — por isso essa avaliação deve ser sempre feita com seu médico, e não com base apenas na regra geral.

Um passo possível para hoje

Se você está na faixa dos 50 aos 74 anos e ainda não agendou a mamografia deste ano, esse pode ser o momento de ligar para a unidade de saúde mais próxima e perguntar como agendar. E se você tem menos de 50 anos com histórico familiar de câncer de mama, vale marcar uma conversa com seu médico para entender se o seu caso pede uma avaliação individualizada.

Cada jornada é única, mas ninguém precisa caminhar sozinho nela — nem mesmo na hora de entender qual exame fazer e quando.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação do seu médico. Cada caso deve ser interpretado junto com sua equipe médica, considerando o histórico completo do paciente.


Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 25/09/2026