Ouvir “imunoterapia” pela primeira vez no consultório costuma gerar uma mistura de esperança e dúvida. Diferente da quimioterapia, que muita gente já conhece por histórias de familiares ou amigos, a imunoterapia contra o câncer trabalha de um jeito distinto dentro do corpo — e entender essa diferença ajuda a chegar mais preparado para a conversa com o oncologista.
Em vez de atacar diretamente as células tumorais, a imunoterapia busca recuperar a capacidade do próprio sistema imunológico de reconhecer e combater o câncer. É uma abordagem que vem ganhando espaço no tratamento de diversos tipos de tumor nos últimos anos, sempre indicada conforme o perfil de cada paciente e de cada tumor.
Este artigo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação da equipe oncológica: cada indicação de tratamento depende de exames específicos e da decisão conjunta entre paciente e médico.
O que é a imunoterapia e como ela age no organismo
A imunoterapia é qualquer forma de tratamento oncológico que busca reativar a capacidade do sistema imunológico de identificar e destruir células tumorais. Algumas células cancerígenas desenvolvem formas de “se esconder” do sistema de defesa do corpo, e certos medicamentos imunoterápicos atuam exatamente para desfazer esse disfarce, permitindo que as defesas naturais voltem a reconhecer o tumor como uma ameaça.
Isso é diferente da quimioterapia, que age diretamente destruindo células que se multiplicam rapidamente — incluindo, além das tumorais, algumas células saudáveis. A imunoterapia, por trabalhar através do próprio sistema imune, costuma ter um mecanismo de ação mais “estratégico” nesse sentido.
Para quais tipos de câncer a imunoterapia é indicada
Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a imunoterapia já está aprovada no Brasil para o tratamento de diversos tipos de câncer — a entidade, inclusive, atuou pela incorporação da imunoterapia contra o melanoma avançado no Sistema Único de Saúde (SUS) (SBOC). Ainda assim, a SBOC reforça que existe um número significativo de tumores que não respondem de forma positiva a esse tipo de tratamento — por isso a indicação depende sempre de exames que avaliam o perfil biológico do tumor.
Não existe uma resposta única sobre “quem pode fazer imunoterapia”: essa decisão é construída entre o oncologista e o paciente, considerando o tipo de câncer, o estágio da doença e os exames laboratoriais específicos.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns
De forma geral, a imunoterapia costuma ter efeitos colaterais mais brandos do que a quimioterapia convencional — os mais frequentes incluem cansaço, coceira ou manchas na pele e alterações intestinais como diarreia. Ainda assim, por estimular o sistema imunológico, ela pode em alguns casos desencadear reações autoimunes, nas quais o próprio organismo passa a atacar tecidos saudáveis, como pulmões, fígado ou intestino — situações que exigem atenção médica imediata.
Por isso, qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento — falta de ar, dor abdominal persistente, alterações na pele que pioram rapidamente — deve ser comunicado à equipe médica o quanto antes, sem esperar a próxima consulta agendada.
Como costuma ser a rotina de quem faz imunoterapia
A aplicação costuma ser feita por via intravenosa, em ciclos que variam de acordo com o medicamento e o protocolo definido pela equipe médica — podendo ser a cada duas, três ou quatro semanas. Diferente da rotina mais intensa que muitos associam à quimioterapia, boa parte dos pacientes em imunoterapia consegue manter atividades do dia a dia entre uma sessão e outra, mas isso varia caso a caso e deve ser sempre conversado com o médico responsável.
Do ponto de vista de quem acompanha pacientes de perto, uma coisa que vejo repetidamente é a ansiedade em comparar a própria resposta ao tratamento com a de outra pessoa que fez o mesmo protocolo. Cada corpo responde de um jeito, e essa comparação — ainda que humana e compreensível — raramente ajuda. O que ajuda é anotar dúvidas entre as consultas e levá-las prontas para o oncologista.
Perguntas frequentes sobre imunoterapia
Imunoterapia substitui a quimioterapia?
Não necessariamente. Em alguns protocolos, a imunoterapia é usada isoladamente; em outros, é combinada com quimioterapia ou outros tratamentos. A definição depende do tipo de tumor e é feita pela equipe oncológica.
A imunoterapia cura o câncer?
A imunoterapia é uma linha de tratamento que pode ajudar a controlar a doença em muitos casos, mas a resposta varia conforme o tipo de tumor e cada paciente. Não é possível prometer cura ou remissão — o prognóstico deve ser discutido diretamente com o oncologista responsável.
Quem faz imunoterapia perde cabelo?
A queda de cabelo é um efeito mais associado à quimioterapia. Na imunoterapia, esse efeito colateral específico é menos comum, embora cada tratamento tenha um perfil próprio de efeitos, que deve ser explicado pelo médico antes do início.
Como saber se o meu tipo de câncer responde à imunoterapia?
Isso depende de exames específicos que avaliam características do tumor. Só o oncologista, com base nesses exames, pode indicar se a imunoterapia é uma opção adequada para o seu caso.
Se a imunoterapia entrou na sua conversa com o oncologista recentemente, uma ação possível para hoje é separar as dúvidas que surgiram nesse texto e levá-las escritas para a próxima consulta — muitas vezes é isso que transforma uma explicação técnica em algo mais claro para quem está vivendo o tratamento.
Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 18/09/2026

