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Imunoterapia

7 Efeitos Colaterais da Imunoterapia e Como Lidar

21 de setembro de 2026

Paciente em consulta conversando com enfermeira sobre efeitos colaterais da imunoterapia

Quem começa a imunoterapia costuma ouvir que ela tende a ser “mais tranquila” que a quimioterapia — e em muitos casos isso é verdade. Mas essa frase, dita sem mais explicação, também pode gerar uma surpresa desagradável quando aparece um sintoma novo, como uma diarreia persistente ou uma coceira na pele, e a pessoa não sabe se aquilo é esperado ou motivo de alarme.

A imunoterapia funciona de um jeito diferente da quimioterapia: em vez de atacar diretamente as células cancerígenas, ela estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor. Só que esse sistema imune “ligado” pode, às vezes, atacar também tecidos saudáveis — o que os médicos chamam de eventos adversos imunomediados. Reunimos aqui os efeitos mais comuns e o que costuma ajudar em cada um.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação da sua equipe oncológica — qualquer sintoma novo ou que piora deve ser sempre relatado ao médico responsável, e não apenas pesquisado por conta própria.

1. Fadiga

É um dos efeitos mais relatados por quem faz imunoterapia. Costuma ser diferente do cansaço do dia a dia: mesmo depois de dormir bem, a sensação de falta de energia persiste. Respeitar os próprios limites, sem se cobrar rendimento igual ao de antes do tratamento, costuma ajudar bastante nesse período.

2. Reações na pele

Coceira, vermelhidão e erupções cutâneas leves são frequentes, principalmente nas primeiras semanas. Hidratar a pele e evitar exposição solar direta são cuidados simples, mas qualquer reação mais intensa, com bolhas ou descamação, deve ser avaliada rapidamente pela equipe.

3. Sintomas gastrointestinais

Diarreia, náusea e cólicas podem indicar inflamação no intestino (colite imunomediada). Segundo materiais do A.C.Camargo Cancer Center, esse tipo de sintoma exige comunicação rápida com a equipe, já que o manejo precoce costuma evitar complicações maiores.

4. Alterações hormonais

A imunoterapia pode afetar glândulas como a tireoide e as suprarrenais, causando cansaço, alterações de peso ou de humor. Por isso, exames de sangue periódicos fazem parte do acompanhamento — mesmo sem sintomas visíveis.

5. Falta de ar ou tosse persistente

Pode sinalizar pneumonite (inflamação nos pulmões), um efeito menos comum, porém mais sério. Falta de ar que piora, mesmo que gradualmente, nunca deve ser “esperada passar sozinha” — é um sinal para contato imediato com a equipe.

6. Alterações no fígado

Geralmente identificadas por exames de sangue de rotina, antes mesmo de causarem sintomas visíveis. É um dos motivos pelos quais o acompanhamento laboratorial regular durante a imunoterapia é tão importante, mesmo quando a pessoa se sente bem.

7. Quando procurar ajuda com urgência

De forma geral, febre, falta de ar, dor abdominal intensa, diarreia com sangue ou confusão mental são sinais que pedem contato imediato com a equipe médica — não esperar a próxima consulta agendada. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) reforça que a identificação precoce dos eventos imunomediados é o que permite tratá-los de forma eficaz, muitas vezes com o uso de corticoides sob orientação médica.

Como nutricionista, um cuidado que costumo destacar para quem enfrenta sintomas gastrointestinais na imunoterapia é evitar cortar grupos alimentares inteiros por conta própria “por precaução” — isso pode agravar perdas nutricionais em um momento em que o corpo já está mais exigido. O ideal é ajustar a alimentação com acompanhamento profissional, de acordo com o sintoma específico.

Perguntas frequentes sobre efeitos colaterais da imunoterapia

A imunoterapia sempre causa efeitos colaterais?

Não necessariamente, e a intensidade varia muito de pessoa para pessoa. Alguns pacientes têm poucos sintomas, outros apresentam reações mais evidentes. O acompanhamento regular com a equipe é o que permite identificar e tratar cada caso.

Efeito colateral da imunoterapia pode aparecer meses depois de começar o tratamento?

Sim. Diferentemente de alguns efeitos da quimioterapia, que aparecem logo após a aplicação, os eventos imunomediados podem surgir semanas ou até meses após o início da imunoterapia, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo.

Sentir um efeito colateral significa que preciso parar o tratamento?

Não necessariamente. Muitos efeitos são controláveis com acompanhamento e, quando necessário, medicação de suporte. A decisão de pausar ou ajustar o tratamento é sempre da equipe médica, caso a caso.

Existe alimentação que previne efeitos colaterais da imunoterapia?

Não há alimento que previna esses efeitos. Uma alimentação equilibrada pode ajudar o corpo a lidar melhor com o tratamento, mas isso deve ser avaliado com uma nutricionista, considerando o quadro clínico de cada pessoa.

Um passo possível para hoje

Se você está em imunoterapia, uma ação simples e útil é montar uma lista com os sintomas que já sentiu desde o início do tratamento, por mais leves que pareçam, e levar para a próxima consulta. Esse registro ajuda a equipe a identificar padrões e agir cedo, se for preciso. Cuidar de si também é isso: prestar atenção nos sinais do próprio corpo, sem se cobrar respostas que só a equipe médica pode dar.


Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 21/09/2026