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Saúde Emocional

6 Formas de Cuidar da Imagem Corporal Durante o Câncer

18 de setembro de 2026

Mulher em tratamento oncológico experimentando um lenço colorido em frente ao espelho

Olhar no espelho e não reconhecer completamente o próprio reflexo é uma experiência que muita gente em tratamento oncológico vive, mas poucas vezes verbaliza. A imagem corporal durante o câncer muda de várias formas — queda de cabelo, inchaço, cicatrizes, alterações de peso — enquanto a pessoa também lida com exames, consultas e decisões sobre o próprio tratamento. Não é vaidade se importar com isso. É reconhecer que o corpo que muda também carrega identidade e memória.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem mostrou que, após o início da quimioterapia, cerca de 25% das pacientes relataram insatisfação com a própria imagem corporal, e quase 90% se disseram preocupadas especificamente com a queda de cabelo (SciELO). Isso mostra que esse não é um sentimento isolado — é parte comum da experiência de tratamento, e merece espaço para ser cuidado.

Reunimos aqui seis formas de lidar com essas mudanças, sem prometer que a autoestima vai “voltar ao normal” em um prazo definido — cada pessoa vive esse processo em um tempo próprio.

1. Fale com a equipe antes da queda de cabelo começar

Perguntar ao oncologista ou à enfermagem se o protocolo de tratamento costuma causar queda de cabelo, e em que momento isso tende a acontecer, ajuda a se preparar emocionalmente — em vez de ser pega de surpresa. Alguns serviços orientam sobre cuidados com o couro cabeludo e produtos que podem ajudar antes e durante esse período.

2. Considere raspar o cabelo por escolha, não só por reação

Para muitas pessoas, tomar a iniciativa de raspar o cabelo antes que ele caia de forma irregular traz uma sensação de controle sobre um processo que, de resto, foge do controle. Não é uma regra — é uma opção que ajuda algumas pessoas a atravessar esse momento de um jeito mais ativo.

3. Explore lenços, turbantes e perucas sem pressa

Não existe obrigação de usar peruca, lenço, ou de “esconder” a careca — a escolha é sempre pessoal. Para quem quiser experimentar opções, vale procurar grupos de apoio ou instituições oncológicas que costumam oferecer orientação sobre onde encontrar lenços e perucas, inclusive por doação.

4. Cuide da pele e das unhas com orientação da equipe

Tratamentos oncológicos podem deixar a pele mais sensível e as unhas mais frágeis. Um dermatologista pode orientar sobre produtos adequados para esse momento — o cuidado com a pele não é sobre estética apenas, mas também sobre conforto físico.

5. Busque apoio psicológico ou grupos de acolhimento

Conversar com um psicólogo especializado em oncologia, ou participar de grupos de apoio com outras pessoas em tratamento, ajuda a processar sentimentos que às vezes parecem “bobos demais para mencionar” — mas que não são. Muitos hospitais oncológicos oferecem esse suporte, incluindo iniciativas voltadas especificamente ao resgate da autoestima durante o tratamento.

6. Dê espaço para o luto da própria imagem — sem pressa de “se superar”

Sentir tristeza, raiva ou estranhamento com o próprio corpo durante o tratamento é uma resposta esperada, não um sinal de fraqueza. Não existe um prazo certo para “aceitar” essas mudanças, e frases como “pelo menos você está viva” — embora bem-intencionadas — podem invalidar um sentimento real. Se alguém ao seu redor está passando por isso, às vezes o mais acolhedor é simplesmente ouvir, sem tentar consertar.

Na minha experiência acompanhando pacientes, percebo que a imagem corporal frequentemente fica em segundo plano nas conversas sobre tratamento, como se fosse menos importante que os exames e os resultados clínicos. Mas não é: é parte de como a pessoa se sente inteira durante um momento em que tanta coisa já está fora do controle dela.

Perguntas frequentes sobre imagem corporal e câncer

A queda de cabelo acontece em todos os tratamentos oncológicos?
Não. Depende do tipo de tratamento e do protocolo específico — alguns causam queda de cabelo, outros não, ou em graus diferentes. Vale perguntar diretamente à equipe médica sobre o que esperar no seu caso.

O cabelo volta a crescer depois do tratamento?
Na maioria dos casos, sim, o crescimento retorna após o fim do tratamento, mas o tempo e a textura podem variar de pessoa para pessoa. Qualquer dúvida específica deve ser conversada com o oncologista ou dermatologista responsável.

É normal sentir vergonha das mudanças no corpo durante o tratamento?
Sim, é uma reação comum e não significa fraqueza ou vaidade excessiva. Buscar apoio psicológico pode ajudar a lidar com esse sentimento de um jeito mais leve, sem julgamento.

Existe algum programa de apoio à autoestima para pacientes oncológicos?
Sim, diversos hospitais de referência em oncologia, incluindo iniciativas ligadas ao INCA, oferecem programas voltados ao resgate da autoestima durante o tratamento, com oficinas e acompanhamento de voluntários e profissionais.

Se você está no meio dessas mudanças agora, a ação possível para hoje é pequena: permita-se sentir o que estiver sentindo, sem cobrar de si mesma ou de si mesmo uma reação “positiva o tempo todo”. Isso também é parte do cuidado.


Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 18/09/2026

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