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Radioterapia

Radioterapia: Como Funciona e Cuidados no Tratamento

18 de setembro de 2026

Paciente se preparando para sessão de radioterapia acompanhado por equipe de saúde

Receber a indicação de radioterapia costuma trazer uma mistura de alívio — por ser um passo do tratamento — e insegurança, porque poucas pessoas sabem exatamente o que esperar das sessões. É comum imaginar algo muito mais invasivo do que realmente é, ou ficar com medo dos efeitos colaterais sem saber quais realmente costumam acontecer.

A radioterapia no tratamento do câncer usa radiação para destruir ou reduzir células tumorais em uma região específica do corpo, e é indicada isoladamente ou combinada a cirurgia, quimioterapia ou imunoterapia, conforme o tipo e o estágio da doença. Entender como ela funciona na prática ajuda a chegar mais tranquilo para a primeira sessão.

O que é a radioterapia e como ela funciona

A radioterapia aplica radiação de forma direcionada para danificar o DNA das células tumorais, limitando sua capacidade de se multiplicar. Segundo o INCA, o tratamento é planejado individualmente, considerando o tipo de tumor, sua localização e o estado geral de saúde da pessoa.

As sessões costumam ser rápidas — poucos minutos cada uma — mas o tratamento se estende por semanas, com aplicações diárias de segunda a sexta-feira. Antes de começar, a equipe faz um planejamento com exames de imagem para calcular a dose e proteger ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns

Os efeitos colaterais da radioterapia dependem principalmente da região do corpo tratada, não são iguais para todo mundo e, na maioria dos casos, começam entre a segunda e a terceira semana de tratamento, podendo durar algumas semanas após a última sessão, segundo orientação do INCA.

Efeitos na pele

A pele da região tratada pode ficar vermelha, ressecada, com coceira ou descamação — reação parecida com uma queimadura solar leve a moderada. Em alguns casos surgem pequenas bolhas, que devem ser avaliadas pela equipe de enfermagem.

Efeitos segundo a região tratada

  • Cansaço e queda de energia, presentes na maioria dos tratamentos
  • Feridas na boca e boca seca, quando a radiação é aplicada na região da cabeça e pescoço
  • Náuseas, quando o tratamento envolve o abdômen
  • Alterações na região pélvica, como secura vaginal em mulheres e impotência em homens, quando essa é a área tratada

Cuidados durante o tratamento com radioterapia

O acompanhamento semanal com o médico responsável é parte do tratamento, não um extra: é nesse momento que os efeitos colaterais são avaliados e, se necessário, tratados. Alguns cuidados práticos recomendados pelo INCA incluem beber de dois a três litros de líquido por dia, para ajudar a manter a pele hidratada, e usar creme hidratante indicado pela equipe de enfermagem na região tratada, sempre com movimentos leves.

Também vale evitar banhos muito quentes, preferindo água morna e sabonete neutro ou sem perfume, e não expor a pele tratada diretamente ao sol sem orientação médica.

Como nutricionista, costumo lembrar que o cansaço e as eventuais náuseas da radioterapia podem reduzir o apetite sem que a pessoa perceba — e isso, ao longo de semanas, afeta a energia disponível para o próprio tratamento. Pequenas refeições mais frequentes costumam ser mais bem toleradas do que grandes refeições, mas o ideal é sempre ajustar isso com um nutricionista que acompanhe o caso, porque cada tratamento tem suas particularidades.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação da equipe médica e de enfermagem responsável pelo tratamento — são elas que conhecem o protocolo específico de cada paciente e podem indicar o cuidado certo para cada efeito colateral.

Quando procurar a equipe médica

Febre, dor intensa, feridas que não cicatrizam ou sangramento na região tratada não devem esperar a consulta semanal — são sinais para contato imediato com a equipe responsável pelo tratamento.

Perguntas frequentes sobre radioterapia

A radioterapia dói durante a aplicação?
Não. A aplicação em si é indolor, parecida com fazer um raio-X, e dura poucos minutos. O desconforto, quando existe, aparece depois, como reação da pele ou cansaço acumulado ao longo das semanas.

Radioterapia e quimioterapia são a mesma coisa?
Não. A radioterapia atua localmente, com radiação direcionada a uma região do corpo, enquanto a quimioterapia age de forma sistêmica, por todo o corpo, usando medicamentos. Elas podem ser usadas juntas, dependendo do caso e da decisão da equipe oncológica.

Os efeitos colaterais da radioterapia são permanentes?
A maioria dos efeitos, como cansaço e reações na pele, tende a diminuir semanas após o fim do tratamento. Alguns efeitos, dependendo da região tratada, podem ser mais duradouros — por isso o acompanhamento médico continua sendo importante mesmo depois da última sessão.

Posso trabalhar durante o período de radioterapia?
Muitas pessoas conseguem manter parte da rotina, mas isso varia conforme o cansaço e a região tratada. Essa é uma conversa importante para ter com o médico responsável, que pode orientar sobre afastamento ou ajustes na rotina.

Chegar à primeira sessão sabendo o que esperar não elimina a apreensão, mas ajuda a enfrentá-la com menos medo do desconhecido. A ação possível hoje é simples: leve suas dúvidas específicas para a próxima consulta com o radioterapeuta — cada protocolo tem suas particularidades, e ninguém melhor do que a equipe que acompanha o seu caso para respondê-las.


Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 14/09/2026