Toda mulher que já fez um papanicolau conhece a rotina: exame, espera pelo resultado, e o alívio (ou a preocupação) quando ele chega. Recentemente, essa rotina começou a mudar — e vale entender o porquê antes da próxima consulta.
O câncer de colo do útero é o tumor ginecológico mais comum no Brasil e uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres na América Latina. Os tipos de HPV 16 e 18 respondem por 70% dos casos, segundo dados divulgados pela Agência Gov. Isso explica por que a prevenção desse câncer está tão ligada ao controle da infecção pelo vírus.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um ginecologista: a frequência e o tipo de exame ideal para você dependem de fatores individuais, que devem ser conversados com seu médico.
O que mudou no rastreamento
O Ministério da Saúde publicou novas diretrizes para o rastreamento do câncer de colo do útero, oficializando a incorporação do exame molecular de DNA-HPV ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme noticiado pelo Cofen. As novas normas preveem a substituição progressiva do papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que identifica diretamente a presença dos tipos do vírus associados ao desenvolvimento do câncer.
O que muda na prática para quem faz o exame
Segundo a Agência Brasil, a portaria amplia a faixa etária de rastreio, de 25 a 64 anos, e muda o intervalo entre coletas: quando não houver diagnóstico do vírus, o intervalo passa a ser de cinco anos, em vez do padrão trienal mais comum do papanicolau tradicional.
Por que a vacina continua sendo a prevenção mais eficaz
A vacinação contra o HPV é considerada a forma mais eficaz de prevenir o câncer de colo do útero, porque atua na chamada prevenção primária: sem a infecção pelo vírus, o câncer relacionado a ele simplesmente não se desenvolve. O Brasil assumiu metas nacionais até 2030 que incluem vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres com o teste molecular e tratar 90% das pacientes diagnosticadas com lesões precursoras ou câncer.
Rastreamento e vacinação são complementares, não substitutos
Mesmo quem já tomou a vacina contra o HPV precisa manter o rastreamento periódico, já que a vacina não cobre 100% dos tipos de HPV associados ao câncer. As duas estratégias — prevenção primária (vacina) e prevenção secundária (rastreamento) — trabalham juntas.
Como curadora atenta à experiência humana por trás dos dados, acho importante dizer: mudança de protocolo não é motivo de desconfiança. Novas evidências científicas frequentemente mostram formas mais precisas de fazer o mesmo cuidado — e é isso que está por trás dessa atualização.
Perguntas frequentes sobre câncer de colo do útero
O papanicolau vai deixar de existir?
Não imediatamente. A substituição pelo teste de DNA-HPV é progressiva dentro do SUS, o que significa que a transição vai acontecer aos poucos, dependendo da estrutura de cada região. Vale perguntar à sua unidade de saúde qual exame está disponível no momento.
Quem já tomou a vacina do HPV ainda precisa fazer o exame preventivo?
Sim. A vacina protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer, mas não elimina o risco por completo nem cobre todos os tipos do vírus. O rastreamento periódico continua sendo recomendado mesmo para mulheres vacinadas.
Por que o intervalo do exame mudou para cinco anos?
O teste de DNA-HPV tem maior sensibilidade para detectar a presença do vírus do que o papanicolau tradicional, o que permite, com segurança, espaçar mais o intervalo entre exames quando o resultado é negativo, segundo as novas diretrizes do Ministério da Saúde.
A partir de que idade devo começar o rastreamento?
As novas diretrizes ampliam a faixa etária de rastreio para 25 a 64 anos. Mulheres fora dessa faixa ou com fatores de risco específicos devem conversar com o ginecologista sobre a melhor conduta para o seu caso.
Um passo possível para hoje
Se faz tempo que você não faz um exame preventivo, ou não sabe se está na hora de vacinar uma filha ou parente jovem contra o HPV, um passo possível hoje é agendar uma consulta ginecológica para atualizar essa parte do seu cuidado. Prevenção não precisa ser urgente para ser importante.
Sobre a autora: Gracy Mariano é nutricionista e escreve no Estou Com Câncer para ajudar pacientes, familiares e cuidadores a se sentirem mais informados e menos sozinhos em cada etapa da jornada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissionais de saúde qualificados. Converse sempre com sua equipe médica. Atualizado em: 20/09/2026

